Web 2.0 e a evolução em trânsito

Julho 29, 2008

Web 2.0 é a evolução da web inicial, que passou a ser chamada de Web 1.0. Há opiniões de que Web 2.0 não existe, foi apenas uma invenção marqueteira, para tentar reanimar a indústria ponto.com, após o estouro da bolha especulativa. O fato é que as transformações ocorridas no uso da internet são uma realidade. Se antes a função da rede era mais corporativo, restrita muito a email e à produção de conteúdo por parte das empresas de mídia, hoje as pessoas comuns assumiram o comando. A internet não é mais vista pomposamente como a rede mundial de computadores. Mas como plataforma de manifestação, comunicação e expressão dessas pessoas comuns. Entrou no cotidiano.

Quando se fala em Web 2.0, nos remete imediatamente ao uso de programas online, como o pacote do Google Docs. Podemos produzir, diretamente na web, arquivos de texto, tabelas, apresentação em slides, vídeos, áudios. E o mais importante: podemos compartilhar esse conteúdo. Isso gera uma avalanche de troca de experiências, de colaboração. Incentiva a inteligência coletiva.

Outro exemplo emblemático é a Wikipedia : a enciclopédia eternamente em construção, sob tutela de uma comunidade global. À essa multidão, ansiosa por se manifestar e produzir sua cota de colaboração, a empresa Trendwatching definiu como “geração C “: C de conteúdo, de colaboração.

Claro, a Web 2.0 também gera muito lixo coletivo. Mas o importante é que todos com acesso à internet tem vez (e voz). O receptor da informação pode se manifestar imediatamente. Por exemplo, nos sites de notícias: no início da internet o feedback estava restrito ao email do jornal, ou do jornalista que produziu a notícia. Hoje, há possibilidade de comentar, criticar, elogiar o trabalho do jornalista nos comentários na própria notícia. Esses comentários passaram a ser parte da notícia, uma conseqüência natural do fato, a repercussão a cada F5.

A blogosfera merece um parágrafo à parte. Os blogs podem ser vistos como o público assumindo inteiramente a produção de conteúdo. Um blogueiro tem potencial de um verdadeiro meio de comunicação, reunindo no blog vídeos produzidos com sua câmera digital, publicados no youtube. Ou podcasts, gravados em seu MP3 player e publicados no Odeo . Assim por diante: animações em flash, slides, mashups no Google Maps. Web 2.0 tem o foco nas pessoas: no processo de produção, disseminação e, enfim, consumo do conteúdo: informativo, cultural, besteirol. Uma gama de diversidade infinita, que sempre tem demanda, mesmo que minúscula (a tal Cauda Longa, de Chris Anderson).

Mas e onde ficam as grandes marcas, a grande mídia? Parou lá na Web 1.0? Claro que não. Elas estão se adaptando à toda essa transformação. Na imensidão cada vez maior de conteúdo que se transformou a web, as marcas tradicionais ainda trazem legitimidade à informação. Além disso, estão se aproveitando das ferramentas web 2.0, do jornalismo-cidadão, para ampliar o alcance de suas coberturas. Isso falando em termos de jornalismo. No lado do marketing, o uso da rede também busca colaboração dos internautas, mas mais como forma de alcançar o engajamento dessa audiência com determinada marca/produto. Para consolidar um relacionamento das pessoas com os produtos a serem consumidor.

Ainda, sobre Web 2.0: temos que notar que não há mais os intermináveis ciclos de atualização dos softwares tradicionais. Ou melhor, a atualização é constante. Os programas parecem adquirir o status de beta permanente: em constante atualização, independente da ação do usuário.

Outra menção importante: o compartilhamento P2P: teve um boom com o Napster, mas se fragmentou através de inúmeros outros programas . A possibilidade de trocar áudio, vídeo (mesmo streaming de vídeo), livros, documentos, etc, transformou, e segue transformando, a indústria cultural, que ainda busca um modelo novo (e rentável) de distribuir música, filmes, programas de televisão, livros, etc.

E haverá (ou já já) uma Web 3.0? Não sei se esses termos seguirão vingando. Mas a evolução prossegue com certeza. Duas tendências: a semântica web , já em andamento, onde as ferramentas de busca intuem, tentam adivinhar o gosto do usuário. A segunda é a internet móvel. Ambas apontam para um aprofundamento da personalização da experiência do usuário.

Daqui para frente, eu customizo o tipo de notícia que quero ler, assim como quem as produz (seja pelo que me é sugerido pelo buscador, pela minha lista de RSSs ou pelos módulos que incluo na minha página do Netvibes ou iGoogle . E assim por diante, com todo o tipo de conteúdo que consumo: com a música, com os filmes e vídeos, tudo o que passará pela minha retina e ouvidos, através da tela do PC, do smartphone, ou qualquer outro device que tiver conectividade.

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  • 1. Roca  |  Agosto 3, 2008 at 10:08 pm

    Muito bom, Leo! Parabéns!

    Responder

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